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FIAT 500

O NUOVA 500 aparece num período delicado da história italiana. Na década de 50 a Itália, tal como os outros países europeus envolvidos na 2ª Grande Guerra, passa uma fase de reconstrução. A Itália dos anos 50 caracteriza-se por um pais de agrícola. O desenvolvimento da indústria com origem na guerra inicia um aumento de consumo, aparecendo assim no mercado vários produtos acessíveis a uma classe social até então privada destas oportunidades. Um destes produtos foi a scooter (Vespa e Lambretta) mas este tipo de veículo é limitado ás características de uma mota.
Assim desde 1952 o pensamento da FIAT era produzir um automóvel económico e pequeno. O velho 500C estava ultrapassado e tinha um custo elevado para atrair as novas classes sociais de consumo. O primeiro produto obtido foi o FIAT 600, modelo mais compacto do que o 500C e continha lugares traseiros, algo que o 500C berlina era privado.
Mas para o mercado italiano era indispensável um veículo ainda mais barato, um automóvel que renunciasse o mais possível a compra de qualquer motociclo.
Passados dois anos do lançamento do 600 foi então apresentado em Julho de 1957 o NUOVA 500. Este novo carro tinha um preço final de 77% em relação ao preço do 600 e fora também desenvolvido por Dante Giacosa. As imperfeições de construção eram bem visíveis mas o carro continha agradáveis pormenores. O modelo base tinha o comutador de direcção colocado ao centro do tablier, sendo este transparente e ficava colorido através de uma lâmpada interna aquando da orientação escolhida. Numa versão económica, o canhão de ignição oriundo do 500C e situado no tablier, para além de permitir a passagem de corrente à bobina, também ligava e trocava as posições das luzes externas.
As janelas principais das portas não eram movidas. Para renovar o ar no habitáculo, o carro continha na parte frontal duas entradas de ar que o deslocava do exterior para o interior através de duas tubagens. Para além disto nas portas existiam janelas pequenas, semelhante ás colocadas no FIAT 600D, e todo o tejadilho era em lona contendo uma janela traseira transparente, permitindo deste modo, um arejo bastante eficiente aquando recolhido. Mas caso a intenção dos ocupantes passava por ter os cabelos ao vento, estes modelos tinham um tejadilho em lona desde a parte dianteira até à entrada de ar para a admissão do motor, junto à porta do compartimento do mesmo.
Em 1958 a Autobianchi produz o “Bianchina”. Este carro partilhava órgãos mecânicos do Nuova 500, mas tinha mais qualidade e luxo. Isto fez com que a FIAT melhorasse o 500.
Em estrada
Para o Nuova 500 retira do 600 o novo conceito de automóvel pequeno e barato iniciado pela FIAT. Deste modo, utilizava uma suspensão independente traseira com mola helicoidais e a partilha na dianteira de uma mola de lâminas. Ambas utilizavam amortecedores telescópicos.

O motor
No coração do carro, a solução teve origem num protótipo do FIAT 600. Um motor com arrefecimento a ar, bicilíndrico em linha com 479 cc. A pá de arrefecimento, para além de circular o ar em redor dos cilindros também “empurrava” o ar para o carburador tendo quase a característica de um turbo. Para diminuir o preço a FIAT decidiu não colocar no Nuova 500 uma caixa sincronizada, mas com quatro velocidades. A fixação desta era também realizada através de borrachas.
Cronologia
Em Julho é apresentado o NUOVA 500. Em Novembro deste ano é introduzido no mercado uma nova versão, com pormenores em alumínio, tampões nas rodas, alavancas das luzes de mudança de direcção e de visionamento junto ao volante. Esta nova versão tinha um custo cerca de mais 25,000 Liras em relação à versão económica. Ainda neste ano, é introduzido no motor uma nova árvore de cames e um novo carburador que permitiu um aumento de 2 cavalos.

Aparece um novo motor com mais cilindrada, 499,5 cc. Este é colocado no FIAT 500 SPORT e era constituído por um carburador Weber 26 IMB2, novas válvulas e o resultado foi uns 21 cavalos de potência e 105 km/h. Uma faixa vermelha nas laterais distinguia-os dos restantes modelos. Existiu também um modelo sport com um tejadilho metálico diferente dos restantes modelos, porem hoje em dia é um modelo muito raro. Estes modelos Sport acabaram com a introdução dos modelos D em 1960, e com o surgimento de modelos produzidos pela Abarth e Gianini.

Neste ano são introduzidas algumas modificações técnicas em todos os modelos. Elas passaram pela a melhoria da habitabilidade do banco traseiro e pela introdução de um tejadilho metálico, deixando uma pequena parte em lona na zona dianteira e contendo um vidro na parte posterior.
Ainda neste ano, houve a necessidade de remodelar o 500 na parte da iluminação exterior devido à introdução de novas regras de circulação de trânsito, Os mínimos passaram do guarda-lamas para a parte frontal do carro e com a mesma lâmpada também funcionava o “pisca”. No guarda-lamas manteve-se o “pisca” mas com a cor laranja e num componente mais pequeno. Na parte posterior, as ópticas aumentaram de tamanho e ficaram a ter os indicadores de direcção com cor laranja.
As modificações introduzidas ao nível óptico em 1959 passou a fazer parte de um novo modelo, o D. Mas este passou a ter um motor derivado do modelo Sport, com 499,5 CC mas com 17,5cv, isto é, menos três cavalos.

Neste ano é introduzido um novo modelo. Este era denominado F e nele foi melhorado o motor, o que lhe conferiu uns 18cv. É também neste modelo, que as portas passam a abrir da trás para a frente. Outra modificação passou pela eliminação dos componentes decorativos externos em alumínio.
Este modelo foi construindo até 1972

Devido ao sucesso do 500, outras marcas italianas utilizavam a plataforma e mecânica do 500 para introduzir no mercado modelos mais luxuosos. A FIAT não quis perder possíveis clientes e em 1958 introduz no mercado o modelo L – Lusso. Este continha a mecânica do modelo F, mas distinguia-se essencialmente pelos novos interiores, nomeadamente, pela introdução de componentes em plástico, painel de instrumentos igual ao FIAT 850 berlina contendo indicador de nível do combustível, tablier forrado a vinil preto. A nível exterior, aparecem componentes decorativos cromados nos pára-choques dianteiro e traseiro e um novo logótipo da FIAT. Este novo modelo também originou novas cores. O amarelo e o preto.

O início da década de 70 originou novos modelos FIAT, com um novo design. Deste modo existia a necessidade de modernizar o 500 e assim surge o FIAT 126, que é apresentado em Novembro de 1972. Este modelo tinha uma mecânica muito semelhante ao do 500, mas com um aspecto de FIAT127. Mas a FIAT tinha um stock grande de material 500 e com isso decidiu continuar a produção, mas introduz um movo modelo, o R – Rinnovata. Este continha o motor, desenvolvido através de conhecimento adquirido pela Abarth, colocado no FIAT 126, que apresentava 594 cc. Mas em vez dos 23cv do FIAT 126, o 500R tinha apenas 18cv. A caixa de velocidades continuou a ser não sincronizada no 500, algo que foi alterado no FIAT126. Estas medidas discriminativas no 500R serviam para não prejudicar o 126. O 500R trazia o painel de instrumentos do 500F em vez de ter cor branca passara a ser de cor preta. Outras modificações foram aplicadas no interior, nomeadamente, a diminuição de interruptores eléctricos. No exterior o que mais se destacava foi a introdução das jantes do FIAT 126 e a colocação do novo logótipo da FIAT. A produção do 500R foi transferida de Turim para a fábrica da Autobianchi e terminou a produção em Agosto de 1975 em Palermo, acabando assim o fantástico FIAT 500.

FIAT 500 GIARDINIERA
Este modelo surgiu em 1960 e deriva directamente do 500D. Para obter uma boa capacidade de bagagem na parte posterior, aproveitando a forma e objectivo de uma carrinha, Dante Giacosa recuperou uma ideia relacionada com a posição dos cilindros do motor, inicialmente pensada (Boxer) para colocar no 500 em 1957. A nova posição colocava os cilindros deitados, mas lado a lado tal como o motor da berlina. A cilindrada e potência era igual ao do modelo D. A partir de 1967, a FIAT passou a produzir a Giardiniera, sobre o nome Autobianchi até ao final de produção deste modelo, que ocorreu em 1977. Ao longo de toda a produção desta carrinha foram muito poucas as alterações ocorridas. À que realçar as aberturas das portas. Estas mantiveram-se inalteradas desde 1960 até 1977, ficando sempre a abrir da frente para trás (portas “mal criadas”).
As rodas colocadas nesta carrinha eram as utilizadas também no 600 (até 1965). Com isto, o 500 Giardiniera tinha nas rodas o sistema de travagem utilizado no 600, com isto, tambores mais pequenos do que a versões 500 berlina.
Até 1969 existiram versões requintadas denominadas “panoramic”.
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